domingo, 17 de junho de 2012

SUGESTÕES DE POEMAS, CONTOS E MUSICAS PARA SEREM TRABALHADOS EM SALA DE AULA.

A CHUVA


A chuva derrubou as pontes. A chuva transbordou
 os rios. A chuva molhou os transeuntes.
 A chuva encharcou as praças.
 A chuva enferrujou as máquinas.
A chuva enfureceu as marés.
A chuva e seu cheiro de terra.
A chuva com sua cabeleira.
A chuva esburacou as pedras.
 A chuva alagou a favela.
 A chuva de canivetes.
A chuva enxugou a sede.
A chuva anoiteceu de tarde.
A chuva e seu brilho prateado.
A chuva de retas paralelas sobre a terra curva.
A chuva destroçou os guarda-chuvas.
A chuva durou muitos dias.
 A chuva apagou o incêndio.
A chuva caiu.
 A chuva derramou-se.
A chuva murmurou meu nome.
 A chuva ligou o para-brisa.
A chuva acendeu os faróis.
A chuva tocou a sirene.
A chuva com a sua crina.
A chuva encheu a piscina.
A chuva com as gotas grossas.
 A chuva de pingos pretos.
A chuva açoitando as plantas.
A chuva senhora da lama.
A chuva sem pena.
A chuva apenas.
A chuva empenou os móveis.
A chuva amarelou os livros.
A chuva corroeu as cercas.
A chuva e seu baque seco.
A chuva e seu ruído de vidro.
A chuva inchou o brejo.
A chuva pingou pelo teto.
A chuva multiplicando insetos.
A chuva sobre os varais.
A chuva derrubando raios.
A huva acabou a luz.
A chuva molhou os cigarros.
A chuva mijou no telhado. A chuva regou o gramado. A chuva arrepiou os poros. A chuva fez muitas poças. A chuva secou ao sol. ( Arnaldo Antunes)


A LÍNGUA DO NHEM

Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.


E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...


O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também


a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...


Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,


e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...


De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,


ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
(Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo, Nova Fronteira)



MAIS RESPEITO, EU SOU CRIANÇA!

Prestem atenção no que eu digo,
pois eu não falo por mal:
os adultos que me perdoem,
mas ser criança é legal!
Vocês já esqueceram, eu sei.
Por isso ou vou lhes lembrar:
pra que ver por cima do muro,
se é mais gostoso escalar?
Pra que perder tempo engordando,
se é mais gostoso brincar?
Pra que fazer cara tão séria,
se é mais gostoso sonhar?
Se vocês olham pra gente,
é chão que veem por trás.
Pra nós, atrás de vocês,
Há o céu, há muito, muito mais!
Quando julgarem o que eu faço,
olhem seus próprios narizes:
lá no seu tempo de infância,
será que não foram felizes?
Mas se tudo o que fizeram
já fugiu de sua lembrança,
fiquem sabendo o que eu quero:
mais respeito, eu sou criança!
(Pedro Bandeira)



 LUA E FLOR

Eu amava
Como amava algum cantor
De qualquer clichê
De cabaré, de lua e flor...


E sonhava como a feia
Na vitrine
Como carta
Que se assina em vão...


Eu amava
Como amava um sonhador
Sem saber porquê
E amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia, amanhece não...


Eu amava
Como amava um pescador
Que se encanta mais
Com a rede que com o mar
Eu amava, como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar...


Eu amava
Como amava algum cantor
De qualquer clichê
De cabaré, de lua e flor...


Eu sonhava como a feia
Na vitrine
Como carta
Que se assina em vão...


Eu amava
Como amava um pescador
Que se encanta mais
Com a rede que com o mar
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar...
(Oswaldo Montenegro)


PARÊMIA DE CAVALO

Cavalo ruano corre todo o ano
Cavalo baio mais veloz que o raio
Cavalo branco veja lá se é manco
Cavalo pedrês compro dois por mês
Cavalo rosilho quero com filho
Cavalo alazão a minha paixão
Cavalo inteiro amanse primeiro
Cavalo de sela mas não pra donzela
Cavalo preto chave de soneto
Cavalo de tiro não rincho, suspiro
Cavalo de circo não corre uma vírgula
Cavalo de raça rolo de fumaça
Cavalo de pobre é vintém de cobre
Cavalo baiano eu dou pra fulano
Cavalo paulista não abaixa a crista
Cavalo mineiro dizem que é matreiro
Cavalo do sul chispa até no azul
Cavalo inglês fica pra outra vez.
(Carlos Drummond Andrade)



LINDO DEMAIS

Coração é terra que ninguém vê
Quis ser um dia, jardineira
de um coração - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.
Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata nada criei.
Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra durada ingratidão
Coração é terra que ninguém vê - diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,- teu coração.
Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...
(Cora Coralina)

A PORTA

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.
Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.
Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

(Vinícius de Moraes)



O SEGREDO DE VERÔNICA


Verônica tem um segredo embaixo da cama: um pequeno monstro amigo. Todos os dias ela chega da escola e corre contar as novidades para ele. Ela fala sem parar, durante cinquenta minutos. O monstro ouve tudo atentamente, mas nunca tem o que acrescentar, pois só fica confinado naquele quarto. Às vezes, o gato da casa aparece para uma visita e o dia fica mais excitante (e mais perigoso, é claro). O tal monstro anda triste e resmungão. Quer sair, dar um passeio, mas é determinantemente proibido!
Um dia, Verônica trouxe sua amiga Cecília para brincar. Monstrinho já sabia: era hora de se esconder, bem lá no cantinho. As duas estavam se divertindo pra valer, falando até pelos cotovelos, uma animação daquelas. O monstro não conseguiu se segurar diante de tanta empolgação. De repente, sem pensar em mais nada, ele pulou na frente das duas! Cecília soltou um grito (pequeno) de susto, mas logo viu que ele era inofensivo e muito, mas muito carismático. Ela fez um montão de perguntas e os dois ficaram amigos.
               Verônica, que tem o coração mais mole que manteiga, vendo a alegria dos dois, resolveu emprestar seu monstro para a amiga. Só por um dia! Monstrinho com medo, mas feliz, entrou na mochila da Cecília e foi se hospedar a duas quadras dali. Verônica não dormiu direito, com o pensamento lá na casa da amiga.
               No dia seguinte, Cecília devolveu o amigo, com muitos beijos de despedida. Monstrinho estava agitadíssimo. Os dois entraram no quarto e daquela vez, só ele falou. Contou tudo, nos mínimos detalhes. Seus olhos brilhavam, suas bochechas estavam coradas (será que ele tomou sol?).
               E foi ali que Verônica percebeu o quanto era bom ver seu monstro feliz. Agora, toda
semana, ele visita um amigo diferente e volta todo animado, falando sem parar.
(Silvana Rando)


A SOPA DE PEDRA – PEDRO MALASARTES

Uma vez, Pedro Malazartes, mineiro sanfoneiro, caipira famoso pela sua esperteza, foi chamado para resolver um caso interessante: as crianças de um pé de serra, lugar muito bonito e cheio de hortas e pomares bem cuidados, não queriam comer legumes e verduras de jeito nenhum.
Seus pais resolveram pedir para Pedro Malazartes inventar um jeito de elas comerem. E Pedro, com seu jeito manso de Jeca, lá se foi. Reuniu a criançada e pitando seu cigarro de palha, perguntou:
- E aí, meninada! Vamos tomar uma sopa?
As crianças viraram a cara, de má vontade, mas perguntaram de que era a sopa. 
- Sopa de Pedra! Minha maravilhosa Sopa de Pedra. Vem gente do mundo inteiro provar...
As crianças ficaram com os olhinhos brilhando de curiosidade. E Pedro continuou:
- Mas para tomar a Sopa de Pedra, pra ela ter maior sabor, vocês têm que ajudar a fazer.  Vamos dividir a turma de vocês em três grupos. O primeiro vai buscar a água do rio e colocar aqui, no meu tacho. Mas tem que ser a água limpinha, lá mesmo da nascente. O segundo grupo vai catar as pedras no rio, mas só podem ser redondas. Oval, triangular ou quadrada não servem. E o terceiro grupo vai pegar legume e verdura da horta...
Lá se foram as crianças, cantando pelo caminho ao executar as suas tarefas:
Minha sopa de pedra tem melhor sabor...
Boto legume da horta, só pra dar cor...
Verdura fresquinha, um bocadinho só...
Boto água do rio, pra ficar melhor.
E assim, Pedro foi comandando aquela difícil tarefa...
Quando uma criança trazia uma pedra que não era redonda, redondinha mesmo, Pedro
mandava voltar.
E nisso, o tempo ia passando. As crianças com uma fome!...
Iam e voltavam várias vezes da nascente para encher as cumbuquinhas de água limpa e
jogar no tacho de Pedro. E os legumes cozinhando, misturando as cores...
E Pedro mexendo e cantando...
E as pedras fazendo barulho no fundo.
E o cheirinho estava danado de bom...
Não é que a Sopa de Pedra cheirava bem?
Quando ficou pronta, as crianças tomaram sofregamente a sopa e adoraram!
Um menino, mais esperto, que até parecia filho do Pedro Malazartes, perguntou:
- Pedro, e as pedras?
- Uai, menino!
As pedras são pesadas.
Ficam no fundo, só para dar gostinho...
(Ana Maria Machado)



O REINO PERDIDO DO BELELÉU

Dizem que todas as coisas perdidas vão para o Beleléu. Não sei onde fica esse lugar, mas que ele existe , existe. Já ouvi muita gente grande, gente  instruída, dizer desanimada sempre que perdeu alguma coisa e não achou mais:

“Foi para o Beleléu.”

E sei também de um menino que foi para lá. Chamava-se Leo e um dia sumiu de casa. Só a irmã dele, a Valdomira, não estranhou o seu sumiço.
Ele tinha mesmo que desaparecer, foi que ela pensou. Pois tudo o que era dele não sumia? Sumiam os lápis, os livros, as lições da escola para fazer em casa. Sumiam os brinquedos e as meias (sempre um pé só). Sumiam as camisas, as cuecas e os botões da roupa dele. Ia tudo para o Beleléu. Só faltava ele mesmo ir para lá. É que o Zé Leo tinha um costume muito ruim: largava tudo por aí. Quem quisesse que guardasse. Ele não!
Quem já viu a maior bagunça do mundo, viu o quarto dele. Para que serviam os armários, as estantes, as gavetas? Não sei, mas não serviam para guardar coisa alguma do Zé Leo. Se ele trocava de roupa, lá a roupa usada esparramada pelo chão. Se escovava os dentes, era certo encontrar a escova jogada dentro da pia. Quando voltava da escola, largava os livros em qualquer canto e na hora de estudar, era aquele procura-que-procura. A gente dele já estava cansada de suas perguntas, sempre as mesmas: “Onde está isso? Onde está aquilo? Você não viu...”

(Maria Heloísa Penteado. No reino Perdido do Beleléu. São Paulo: Ática.)

O TOLO QUE ERA SÁBIO

Todos os dias o Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque:
Mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado.
Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor.
Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:
- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.
Nasrudin lhe respondeu:
- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque. E cheio de sabedoria acrescentou:
- Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes, é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e usar fazendo tolices.

(A Sabedoria Cômica de Nasrudin)


OS TRÊS FILHOS DO REI

Um grande rei tinha três filhos e queria escolher um deles para ser seu herdeiro. Isso era muito difícil, pois os três eram muito inteligentes e corajosos. E eram trigêmeos, tendo portanto a mesma idade, assim não havia maneira de decidir. Então ele perguntou a um grande sábio, que deu uma ideia. O rei foi para casa e chamou os três filhos. E a cada um deu uma sacola com sementes de flores, e os avisou que estava indo a uma longa viagem: “Levará alguns anos – um, dois, três, talvez mais. E isso é uma espécie de teste para vocês. Terão que me devolver estas sementes quando eu voltar. Aquele que proteger melhor será o meu herdeiro”. E partiu.
O primeiro filho pensou: “O que devo fazer com essas sementes?”. Ele as trancou num
cofre de ferro, pois quando o pai voltasse, precisaria devolve-las como eram.
O segundo filho pensou: “Se eu as trancar como meu irmão fez, elas morrerão. E uma
semente morta não é mais uma semente.” Então foi ao mercado, vendeu-as e guardou o
dinheiro. E pensou: “Quando meu pai voltar, irei ao mercado, comprarei novas sementes e
devolverei a ele sementes melhores que as primeiras”.
Mas o terceiro foi ao jardim e jogou as sementes em todos os lugares. E após três anos,
quando o pai voltou, o primeiro filho abriu seu cofre. As sementes estavam mortas,
cheirando mal. E o pai disse: “O que? São essas as sementes que te dei? Elas tinham a
possibilidade de desabrochar em flores e exalar um maravilhoso perfume – e essas estão
cheirando mal! Essas não são as minhas sementes!” O filho insistiu que eram as mesmas,
e o pai falou: “Você não é digno de ser meu herdeiro, és muito materialista”.
O segundo filho correu ao mercado, comprou sementes, voltou para casa e as apresentou
ao pai, que disse: “Mas essas não são as mesmas. Sua ideia foi melhor que a do seu
irmão, mas você ainda não é capaz como gostaria que fosse. Você é um psicólogo”.
Ele foi ao terceiro, com grande esperança e também com apreensão: “O que ele fez?”. E o
terceiro filho o levou ao jardim e havia milhares de plantas florescendo, milhares de flores à
toda volta. E o filho disse: “Estas são as sementes que você me deu. Logo que estiverem
no ponto colherei e devolverei a você!”. O pai disse: “Você é o meu herdeiro. Essa é a
maneira de agir com as sementes!”.
(Aluísio de Almeida. Três contos populares.)


A PRINCESA E O GRÃO DE ERVILHA


Era uma vez um jovem príncipe bonito e de bom coração que buscava casar-se com uma princesa. Buscava em sua pretendente virtudes de uma verdadeira princesa. Ela deveria ser: bondosa, caridosa, amar a natureza, atenciosa, inteligente e bela.
 O Príncipe viajou pelo mundo inteiro para encontrar uma moça que preenchesse seus pré-requisitos, mas nada de encontrá-la. Ele até encontrou boas princesas, loiras, morenas ruivas uma mais bela que a outra, mas sempre faltava algo.
 O príncipe estava convicto de que uma princesa de verdade deveria ter todos os requisitos de sua lista preenchidos. E após uma longa temporada de viagens, bailes e muita busca o príncipe triste e cansado resolveu retornar ao seu reino sem saber se um dia haveria de encontrar aquela com quem pudesse se casar.
 Seu pai, o rei, temia que pela grande exigência do príncipe ele nunca viesse a encontrar a tal verdadeira princesa. Certa noite houve uma terrível tempestade. Muitos raios e trovões assustaram os moradores do reino. No castelo do príncipe não foi diferente. Tanto o rei, como a rainha não conseguiam dormir por causa da tempestade. No meio da noite, todos foram despertados por fortes batidas na porta do castelo.
 O rei ordenou que seus guardas abrissem a porta. Para a surpresa de todos, diante deles estava uma jovem princesa, encharcada. A tempestade a deixara em um estado lastimável.
 A jovem princesa pediu abrigo por aquela noite, pois na viagem de volta ao seu reino a chuva a pegara de surpresa.
 O rei e a rainha concordaram. O príncipe que descera as escadas um pouco depois, encantou-se com a jovem. Cochichou no ouvido da rainha que havia encontrado a verdadeira princesa que tanto procurava.
 A rainha, receosa, tratou de subir rapidamente as escadas do castelo, chegando ao quarto de hospedes primeiro que a jovem princesa. Ela resolveu fazer um teste. Tirou tudo o que havia em cima da cama e em cima do estrado colocou um grão de ervilha. Depois, pôs em cima desse grão vinte colchões, e por cima deles vinte cobertores bem felpudos. E assim foi preparada a cama em que a princesa deveria passar a noite.
 Na manhã seguinte, todos se reuniram para o café da manhã real. A rainha perguntou para a jovem princesa se ela havia dormido bem.
 __ Infelizmente não, majestade. Tive uma noite péssima. Não sei o que havia na cama, mas não consegui pregar o olho. Parecia haver algo bem duro no colchão.
 A rainha ficara convencida, só uma verdadeira princesa sentiria a dureza de um grão de ervilha, mesmo através de vinte colchões e vinte cobertores felpudos. Só uma princesa de verdade poderia ser tão sensível assim!
 O príncipe não ligou para o teste. Ele havia se apaixonado e por causa disso até esquecera a tal lista de pré requisitos.
Algumas semanas depois o príncipe e a princesa se casaram e foram muito felizes.
O grão de ervilha virou relíquia no museu do castelo, e tempos depois muitas pessoas ainda
comentavam sobre a história da princesa e o grão de ervilha.

(Adaptado do conto de Hans Christian Andersen) 

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