domingo, 17 de junho de 2012

BREVE BIOGRAFIA DE JORGE AMADO, MONTEIRO LOBATO E PATATIVA DO ASSARÉ

JORGE AMADO


Eu sou Jorge Amado de Farias nasci em 10 de agosto de 1912, em Itabuna, Bahia. Passei a minha infância entre a minha cidade natal e Salvador.
Estudei por muitos anos em escola de regime interno: primeiro no Colégio Antônio Vieira e depois no Ginásio Ipiranga, nos quais comecei
a desenvolver meu lado de escritor com a criação do jornalzinho “A luneta”, o qual distribuíra para  colegas e parentes e os “A Pátria” e “A Folha”, do grêmio estudantil.

Em 1927, ainda estudante, agora do regime de externato, comecei a trabalhar como repórter no “Diário da Bahia”. Naquela época, recebi a titulação no candomblé.

Em 1931, fui aprovado na faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Naquele mesmo ano, meu primeiro romance “O país do Carnaval” foi publicado e recebeu elogios.

Envolvido com o comunismo, como a maioria dos escritores da época, vi meu romance seguinte “Cacau” ser apreendido por policiais. Por este motivo, passei certo tempo exilado na Argentina. Mais tarde, entre 1936 e 1937 fui preso por me opor ao Estado Novo.

Em dezembro de 1933, casei-me com a primeira mulher, Matilde Garcia Lopes, com quem tive uma filha, Eulália. Um ano depois, publiquei os romances “Suor” e “Jubiabá” e formei-me em Direito, quando começou as perseguições que me levariam a detenção.
  
O livro “Mar morto” é publicado e recebe o prêmio Graça Aranha. E enquanto viajava para o exterior, o livro “Capitães da Areia” foi publicado e de volta ao Brasil fui preso novamente quando tentava escapar, fui para Manaus. Tive milhares de exemplares de livros publicados, tidos como revolucionários, queimados em Salvador por ordem militar.
  
Passei pouco tempo na prisão, fui solto em 1938, quando me mudei para São Paulo.

 Em 1942 publiquei em Buenos Aires “A vida de Luís Carlos Prestes”, com o intuito de ajudar na anistia do comunista. Mais uma vez fui preso ao desembarcar em Porto Alegre e, então, proibido de sair das terras de Salvador. Novamente publiquei mais um livro “Terras do sem fim”, o qual não foi censurado. Separei-me de Matilde em 1944.

 Em 1946, me envolvi mais intensamente com a política através de minha candidatura a deputado do PCB. Apesar de eleito, tive o mandato suspenso por alegação de ilegalidade do partido. Neste período conheci Zélia Gattai, com quem passei a viver. Em 1946 publico o romance sobre a seca “Seara Vermelha”. Um ano depois lanço “O amor de Castro Alves” e nasce meu primeiro filho com a Zélia, João Jorge.

 Em 1949, minha primogênita, Eulália morre de causas não conhecidas. Por muito tempo viajei pela Europa, conheci a China e Mongólia e escrevi “O mundo da paz”, no qual fiz referências aos países socialistas visitados. Em 1951, nasceu a filha Paloma, no ano seguinte, voltei ao Brasil. Fixei residência no Rio de Janeiro e passei a produzir e viver da literatura modestamente. Então, em 1958 escrevi “Gabriela, cravo e canela”, livro que
me rendeu várias premiações, além de ter sido adaptado para a TV. Algum tempo depois, lancei “Dona Flor e seus dois maridos”, que também apareceu nas telas mais tarde.

 Sofri um edema pulmonar no ano de 1996 e logo depois submetido a uma angioplastia, a partir de então passei a levar uma vida de privações e de tristeza, pois não conseguia mais enxergar direito e, por isso, tinha dificuldade em ler e escrever e principalmente por não poder comer mais o que gosto.
  
Sou representante da segunda fase do Modernismo no Brasil, voltada aos romances regionalistas. Por Sabrina Vilarinho - Graduada em Letras





MONTEIRO LOBATO

  
Nasci José Renato Monteiro Lobato, em
Taubaté-SP, aos 18 de abril de 1882. Falei
tarde e aos 5 anos de idade ouvi, pela
primeira vez, um célebre ditado... Concordei.
Aos 9 anos resolvi mudar meu nome para
José Bento Monteiro
Lobato desejando usar uma bengala de
meu pai, gravada com as iniciais J.B.M.L.

 Fui Juca, com as minhas irmãs Judite e Esther, fazendo bichos de chuchu
com palitos nas pernas. Por isso, cada um de meus personagens; Pedrinho,
Narizinho, Emília e Visconde representa um pouco do que fui e um pouco do
que não pude ser.
 Aos 14 anos escrevi, para o jornal "O Guarani", minha primeira crônica.
  
Sempre amei a leitura. Li Carlos Magno e os 12 pares de França, o Robinson Crusoé e todo o Júlio Verne. Formei-me em Direito em 1904, pela Universidade de São Paulo. Queria ter cursado Belas Artes ou até Engenharia, mas meu avô, Visconde de Tremembé, amigo de Dom Pedro II, queria ter na família um bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.

 Em maio de 1907 fui nomeado promotor em Areias - SP, casando-me no ano seguinte com Maria Pureza da Natividade, com quem tive o Edgar, o Guilherme, a Marta e a Rute.
  
Vivi no interior, nas pequenas cidades, sempre escrevendo para jornais e revistas.

 Em 1911 morreu o meu avô, Visconde de Tremembé, e dele herdei a fazenda Buquira, passando de promotor a fazendeiro. Na fazenda escrevi o Jeca Tatu, símbolo nacional.

 Comprei a "Revista do Brasil" e comecei, então, a editar meus livros para adultos. "Urupês" iniciou a fila em 1918. Surgia a primeira editora nacional "Monteiro Lobato & Cia", neste mesmo ano. Antes de mim, os livros do Brasil eram impressos em Portugal.

 Tive muitos convites para cargos oficiais de grande importância. Recusei a todos. Getúlio Vargas (presidente do Brasil na ocasião) convocou-me para ser o Ministro da Propaganda. Respondi que a melhor propaganda para o Brasil, no exterior, era a "Liberdade do Povo", a constitucionalização do país.

 Minha fama de propagandista decorria da minha absoluta convicção pessoal. O caso do petróleo, por exemplo, e do ferro. Éramos ricos em energia hidráulica e minérios e não somente café e açúcar. Durante 10 anos, gritei essas verdades. Fui sabotado e incompreendido.

 Dediquei-me à Literatura Infantil já em 1921. E, retomei a ela, anos depois, desgostoso dos adultos. Com "Narizinho Arrebitado", lancei o "Sítio do Pica pau Amarelo". O sítio é um reino de liberdade e encantamento. Muitos já o classificaram de República.

 Eu mesmo, por intermédio de um personagem, o Rei Carol, da Romênia, no livro A Reforma da Natureza, disse ser o Sítio um reino. Um reino cuja rainha é a D. Benta. Uma rainha democrática, que reina pouco. Uma rainha que permite liberdade absoluta aos seus súditos. Um deles, Emília, é voluntariosa, teimosa, renitente e não renuncia os seus desejos.
Narizinho e Pedrinho são as crianças de ontem, de hoje e amanhã, abertas a tudo, querendo ser felizes, confrontando suas experiências com o que os mais velhos dizem, mas sempre acreditando no futuro.

 Mas eu precisava de instrumentos idôneos para que o trânsito do mundo real para o fantástico fosse possível, pois, como ir à Grécia? Como ir à Lua?
Como alcançar os anéis de Saturno? Bem, a lógica das coisas impunha a existência desse instrumento. Primeiro surgiu o "O Pó de Pirlimpimpim" que transportaria os personagens de um lugar para outro, vencendo o "ESPAÇO". O "FAZ-DE-CONTA".

 Disponível em: http://www.cocfranca.com.br/biografia.htm. Acessado em 23.04.12
http://blog.teatrodope.com.br/images/patativa_do_assare.jpg



PATATIVA DO ASSARÉ


Eu, Antônio Gonçalves da Silva, filho de Pedro Gonçalves da Silva, e de Maria Pereira da Silva, nasci aqui, no Sítio denominado Serra de Santana, que dista três léguas da idade de Assaré. Meu pai, agricultor muito pobre, era possuidor de uma pequena parte de terra, a qual depois de sua morte, foi dividida entre cinco filhos que ficaram, quatro homens e uma mulher. Eu sou o segundo filho.


 Quando completei oito anos, fiquei órfão de pai e tive que trabalhar muito, ao lado de meu irmão mais velho, para sustentar os mais novos, pois ficamos em completa pobreza. Com a idade de doze anos, frequentei uma escola muito atrasada, na qual passei quatro meses, porém sem interromper muito o trabalho de agricultor. Saí da escola lendo o segundo livro de Felisberto de Carvalho e daquele tempo para cá não frequentei mais escola nenhuma, porém sempre lidando com as letras, quando dispunha de tempo para este fim. Desde muito criança que sou apaixonado pela poesia, onde alguém lia versos, eu tinha que demorar para ouvi-los. De treze a quatorze anos comecei a fazer versinhos que serviam de graça para os serranos, pois o sentido de tais versos era o seguinte: Brincadeiras de noite de São João, testamento do Juda, ataque aos preguiçosos, que deixavam o mato estragar os plantios das roças, etc. Com 16 anos de idade, comprei uma viola e comecei a cantar de improviso, pois naquele tempo eu já improvisava, glosando os motes que os interessados me apresentavam.

Nunca quis fazer profissão de minha musa, sempre tenho cantado, glosado e recitado, quando alguém me convida para este fim.  Quando eu estava nos 20 anos de idade, o nosso parente José Alexandre Montoril, que mora no estado do Pará, veio visitar o Assaré, que é seu torrão natal, e ouvindo falar de meus versos, veio à nossa casa e pediu à minha mãe, para que ela deixasse eu ir com ele ao Pará, prometendo custear todas as despesas. Minha mãe, embora muito chorosa, confiou-me ao seu primo, o qual fez o que prometeu, tratando-me como se trata um próprio filho.

Chegando ao Pará, aquele parente apresentou-me a José Carvalho, filho de Crato, que era tabelião do 1o. Cartório de Belém. Naquele tempo, José Carvalho estava trabalhando na publicação de seu livro “O matuto Cearense e o Caboclo do Pará”, o qual tem um capítulo referente a minha pessoa e o motivo da viagem ao Pará. Passei naquele estado apenas cinco meses, durante os quais não fiz outra coisa, senão cantar ao som da viola com os cantadores que lá encontrei.

De volta do Ceará, José Carvalho deu-me uma carta de recomendação, para ser entregue à Dra. Henriqueta Galeno, que recebendo a carta, acolheu-me com muita atenção em seu Salão, onde cantei os motes que me deram. Quando cheguei na Serra de Santana, continuei na mesma vida de pobre agricultor; depois casei-me com uma parenta e sou hoje pai de uma
numerosa família, para quem trabalho na pequena parte de terra que herdei de meu pai. Não tenho tendência política, sou apenas revoltado contra as injustiças que venho notando desde que tomei algum conhecimento das coisas, provenientes talvez da política falsa, que continua fora do programa da verdadeira democracia.
  
Nasci a 5 de março de 1909. Perdi a vista direita, no período da dentição, em consequência da moléstia vulgarmente conhecida por Dor-d’olhos.
  
Desde que comecei a trabalhar na agricultura, até hoje, nunca passei um ano sem botar a minha roçazinha, só não plantei roça, no ano em que fui ao Pará.


ANTÔNIO GONÇALVES DA SILVA, Patativa do Assaré. 

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